Paredes Brancas
Paulo Maurício G. Silva



Paredes brancas de sol e molduras bentas,
Com um vaso de flor num canto a perfumar.
Às vezes lembram vultos de asas sonolentas,
As luzes da manhã, da tarde e do luar...

Paredes brancas onde duas sombras lentas
Silenciosamente buscam dialogar,
Nas horas douradas e nas horas cinzentas,
Na janela, sempre um cortinado a pairar...

Paredes brancas de um remanso solitário...
- Materialização da paz onde me abrigo... –
Como a pureza matinal de um campanário,

Como a ausência da culpa, mesmo ante o castigo.
São paredes do nosso lar sexagenário...
Paredes brancas... De onde sou feliz contigo!







Nas Sombras Do Teu Jardim
Paulo Maurício G. Silva



Folhas nos ares... Luz de um sol vencido...
Caminho como caminha um perdido,
nas sombras do teu jardim.

Sob a teia desfolhada dos galhos
é que eu vejo reduzido a retalhos
o azul do meu céu sem fim...

Na minha mão a rosa machucada
põe reticências na tarde velada,
em pétalas de carmim.

É o silêncio apenas, meu amigo,
eu com o meu coração e ele comigo,
unidos num mesmo fim...

Sob o adejo das ramas desfolhadas
vou deixando as minhas tristes pegadas
na poeira de marfim.

Folhas nos ares... Luz de um sol vencido...
Caminho como caminha um perdido,
nas sombras do teu jardim.







Eu Te Dou Flores
Paulo Maurício G. Silva



Eu te dou flores a cada momento,
Flores de primavera ou de verão
A enflorescerem o teu aposento
Como a um palácio feito de ilusão...

Das luzes da vitrine ou do relento
Flores suaves... Ardentes... Em botão...
No laço do Sagrado Sentimento,
São flores, afinal - do coração!

De todos os perfumes... Nuanças... Cores...
Todos os trilhos e todos os chãos...
Dos campos, jardins cheios de primores,

Nas alegrias ou desejos vãos,
Dando-te flores, cada vez mais flores,
Minha alma entrega as asas em tuas mãos.







Brisas de Verão
Paulo Maurício G. Silva



Brisas silenciosas que vêm e vão,
Como afagos na tarde de canela...
Comungam com os sinos da cancela...
E juncam os pilares do portão.

Que trazem, quando finda uma estação,
Velhas pétalas à minha janela,
De uma flor talvez, que uma história bela
Marcou... Depois morreu ainda em botão.

São brisas de chegada e de partida...
Reavivando as cinzas desta vida,
Trazem perfumes e recordações...

E trazem gestos de uma despedida...
Sensação de uma lágrima varrida...
... Mas dão asas às minhas ilusões!...







Dias Meus
Paulo Maurício G. Silva



Dias de singeleza de florais,
De sinos e de vagos apogeus...
Numa praça silenciosa a paz
De uma igreja branca apontando céus...

Que as almas frágeis irmanam-se mais
E as garoas põem no canteiro os véus.
Também as borboletas nos rosais
Desfolham-se, fechando ciclos seus...

Dias de sombra nas antigas ruelas,
Postos os linhos roxos nas janelas...
Dias que lembram um distante adeus...

Dias de névoas, de vazios ninhos,
Ramos nos ares, folhas nos caminhos...
São sempre os mesmos dias... Dias meus!







Versos Apenas
Paulo Maurício G. Silva



Eu terei tua voz melodiosa,
Estendida nos céus a passarada...
E terei dos teus risos a alvorada...
Dos teus cabelos a sombra sedosa.

Teu beijo, eu colherei como a uma rosa
A flutuar na haste delicada...
No vão da tua carícia perfumada,
Terei a tua alcova silenciosa...

Terei tua magia sedutora...
Na folha que me escreves sonhadora,
O beijo carmim que teus lábios parte...

Inspirações do amor - terei, por fim!
Mas, que terás?... O que terás de mim,
Se apenas versos, tenho para dar-te?...




 

 

 

 

 

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