Concreto

Gilia GerlinG



Entre um tijolo e outro existe o vácuo.
Imperceptível e perigoso, mas necessário.
Seguro e improvável, mas existe.
Assim, que nem o amor e o cimento:
Une, se bem misturado
Preenche, se bem elaborado,
Desmorona, se mal colocado.
Assim como palavras grafitadas nas paredes alma que resistem, ou não.







Lugar de Mim
Gilia GerlinG



Lugar de mim é lugar nenhum.
Lugar nenhum é o meu lugar.
Mas, cantando a vida nas canções,
encontro o tempo de viver
e o tempo de dizer
que é preciso amar o amor
como quem ama
num último dia de vida
de um grande amor
que já não pode viver em nenhum lugar.

Lugar de mim é lugar nenhum.
Nenhum lugar é lugar em mim.
Ainda assim, planto, alimento
e tento colher as mais belas flores
para enfeitar os olhos da vida
que, em algum lugar,
olham, espreitam, choram,
gargalham, mascaram, enfrentam
e lutam pela vida,
em algum lugar de mim.

20/03/2008
03:20








Reflexo
Gilia GerlinG



Às vezes,
tento recompor minha imagem
diante do meu espelho de estimação.
Mas essa imagem, um dia decomposta,
insiste em se fazer distante

Às vezes,
Me perguntam por esta imagem,
mas insisto em dizer que ela se desfez
e que nem reflete mais

Ah... estas pessoas que querem saber de mim...
Ah... se soubessem que bastaria
que se detivessem um pouco no meu olhar de estimação.


RJ, 14/07/1977







Perdas
Gilia GerlinG



Difícil
não são as perdas,
mas entendê-las

Difícil
não são as lágrimas,
mas esquecê-las

Difícil
não são as insônias,
mas os dias e as noites

Difícil
não são as dores,
mas senti-las “repetida-mente”

Difícil
não são as forças que faltam,
mas saber de onde elas não vêm

Difícil
não são os olhares,
mas o nada ver

Difícil
não são as mortes,
mas sim vivê-las em vida


Porto Alegre, 14/02/2003







O Sentimento
Gilia GerlinG



Sem espera nem desespero
Sem audiência nem distância
Sem preconceito nem defeito
Sem resquício nem perspectiva
Sem meio-tom nem alvoroço
Sem dependência nem dádiva
Sem languidez nem amargor
Sem análise nem incúria
Sem mácula nem obstáculo
Ardente e lúcido
Nascente e completo
Integral e intacto
Múltiplo e único
Perfeito e humano
Quotidiano e infinito







Dia-a-Dia
Gilia GerlinG



Teço a vida com fios de medos
Alinhavo os medos com os nós da garganta.
Pinto a natureza viva nas telas da insônia
Retoco a pintura com sonhos acordados.

Choro meu pranto com palavras escritas
Corrijo o escrito com lágrimas densas.
Disfarço meu olho com cor nenhuma
Retoco o olhar com a alegria que já olhei.

Celebro a vida à minha maneira
Descarto a morte do jeito que a entendo.
Procuro minutos de paz em relógios parados.

Só assim escuto os ponteiros exatos e
sãos e salvos do futuro árido e absurdo
que o presente não soube explicar.

05/10/2009




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