Sem Roteiro
Eliane F. C. Lima



Descendo por suas costas
minha mão desliza,
cobra vertiginosa.
Sub-reptícia, a sibilina se insinua.
Vício e volúpia, volta e virada.
Procura cantos e desvios,
vagos e vagas, montanhas;
Minha mão na sua nuca,
adivinha o arrepio,
sente do peito o cio.
Tatuagem deslizante,
mordidas ofídicas nas pontas dos picos.
A serpente de meu braço,
descendo sobre seu ventre,
se enrosca no entre
de suas coxas.
Abraço que só se abrasa
em úmidas, paragens toscas,
por dentro de grutas e roscas,
timidamente, se esconde,
gulosa, no centro do onde.




O Barco
Eliane F. C. Lima



Naquela ilha, batem marés de felicidade.
Naquela ilha, nas pedras, rolam as espumas da calma.
Naquela ilha, as aves da tranquilidade sobrevoam... e pousam.
É naquela ilha que crescem as verdes árvores do silêncio.
Naquela ilha, o sol não fere, cai como uma névoa,
não tem pontas a sua luz, só ressalta as formas da paz.
Aquela ilha não tem praia e é cercada de pedras,
qualquer um não chega lá.
Aquela ilha fica longe e eu estou aqui.
Não sou maré, não sou espuma, nem ave.
Devo descobrir um meio para me aproximar
e plantar minhas sementes.
Mas só eu sei
que o melhor daquela ilha é olhar
silenciosamente
e ter um sonho verde
de chegar lá.




Infinir
Eliane F. C. Lima



Caixa de surpresas é a vida.
Acontece dentro do planejado:
surpresas.
Termina dentro do imprevisível:
a morte.
Caixa de madeira é a morte.




Insólito
Eliane F. C. Lima



Dentro deste prato inexorável,
Fios de macarrão me olham indiferentes...
Enrosco os fios ritualisticamente
E a comida me incomoda, pedras no sapato.
Não sei se como ou se mastigo mágoas,
Não sei se como ou se abro ferida.
Fios de macarrão são como larvas
Que caem do coração, devoram a vida.
Dilacero meu ser dilacerado entre os dentes,
Fios de macarrão, dores pendentes.
Misturo os gemidos com o molho rubro,
Sangro e queijo.
Meu estômago agora repleto de sofrimento,
Olho o macarrão e ele chora... lamento!
Poucos fios de mim dispersos sobre o prato.







Uma História Medieval
Eliane F. C. Lima



Se há anjos também há dragões,
Que vomitam fogo
E parecem consumir o mundo.
Dragões sempre ameaçam cidades.
Mas, também, sempre há um herói
Que quer salvar uma donzela solitária.
E uma cabeça carregada pelos cabelos,
entre os gritos do povo.
O herói procura por florestas inóspitas
E segue o rumor dos urros quentes.
Mas é minha donzela, finalmente,
Quem vence os anjos
E passa, com a cabeça do herói,
Triunfantemente sozinha,
Entre as labaredas aconchegantes dos dragões.




Fa-lo-ei, O Homen
Eliane F. C. Lima



Falo hei,
Para apontar as profundezas da feminilidade,
Aberta e sugativa!
Falo há,
Só como espada,
Para derrubar as muralhas do preconceito
Onde se erguem mulheres.
Falo sim, falo alto,
Porque vaginas são como bocas mágicas:
Comem falsos deuses e devolvem homens.


 

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