Meus Ciclones

Ceres Marylise



A cama não me adormece
nesta madrugada insone
e sorrateira resvalo
entre as portas da varanda.

Meu refúgio é um jardim
e um frio orvalho me anima
ao me olhar no espelho
de uma calma piscina.

Observo a magra lua
e o crescimento da noite
que num gélido abraço
a envolve mais escura.

Aqui do ponto onde estou
enquanto a noite se arrasta,
sob o açoite do vento
meu pensamento divaga.

Ouço os ruídos da noite
porém me faltam palavras
que justifiquem os temas
que trazem vida aos poetas.

Expresso-me então do nada
mas sempre atenta à vida,
neste bucólico espaço
que me serve de guarida.

Sem o calor da emoção,
este momento é instável
e então converso comigo,
sobre meus dias e noites.

Resgatando meus ciclones,
recompondo meus cristais,
que a vida mesma quebrou
e ainda quer muito mais.




 

Moonlight
Ceres Marylise



Pedi ao negro do céu,
e à noite, seus mistérios,
para pintar o teu corpo
de prateado tão belo.

Usei as cores do sonho,
a pureza de tua luz,
e ao guardar o pincel,
pensei: enfim te compus!

Mas tens algo de secreto
que não pude captar
e ficaste incompleta
na tela do meu olhar.

O que tens assim tão forte
e nessa forma sutil,
que não consigo traçar
totalmente o teu perfil?




 


Sei
Ceres Marylise



É claro que
com pouco
me conformo
e em tudo
que escrevo
me desnudo,
mas se eu pensar
que hoje acaba tudo,
sei que amanhã
já não terei futuro.

Por isso, perco-me,
com medo
de encontrar-me,
e quando busco-me,
sei que estou distante,
mas se eu pensar
que o tempo
em mim avança,
não me verei
como me via antes.




 

Itinerário Noturno
Ceres Marylise



Ultimamente, viajo no abstrato,
falta-me a aura e a magia de poeta.
Há dias não me chega inspiração;
ela está seca, dorme, não desperta!

Talvez, os meus tantos dissabores,
na palidez constante do silêncio,
necessitam de sonhos nessas horas
e eles não chegam há bastante tempo.

O itinerário incerto de minhas letras
suspira como ondas nas borrascas,
navega frágil pelo branco do papel.

Tal qual lamento de um moribundo,
que se revolta diante da certeza,
e em silêncio, cede e clama ao céu.




 

Passarinhando
Ceres Marylise



Se eu soubesse do teu nome, passarinho;
verdes prados nos meus dedos, pra tua dança.
Tuas asas, meu refúgio insondável;
nos teus olhos, para sempre,
minha lembrança.

Se eu soubesse do teu sonho, passarinho;
belas paisagens no meu rosto e no caminho.
Longos versos, ternos gestos,
pés descalços, cuidadosos,
no teu ninho.

Se eu soubesse de tua casa, passarinho;
pimenta doce na minha boca, tua morada.
Gosto nosso, no teu jeito assim tão doce,
pra ser sempre por teu bico
acarinhada.

Se eu soubesse o teu canto, passarinho;
minha porta novamente se abriria;
mão aberta, suavemente te acolheria
e facilmente iríamos voar,
voar...




 

Todos os Meus Dias
Ceres Marylise



Retornas à minha mente após longo recesso
e nasce um leve pranto, talvez de nostalgia.
Tento romper de vez o mal desse regresso
e recuso-me a aceitá-lo em tenaz rebeldia.

Fraqueja meu sentir e minha força é o verso
a desnudar meu silêncio, fiel melodia,
que conduz e arrasta todo o retrocesso,
vai-e-vem de incertezas e melancolia.

Brisas vêm enxugar algum resto de pranto,
luzes chegam e reclamam carícias que faltam,
mas cansada de amar-te, faltou-me energia.

Agora, sem amarras, meu vôo levanto
e empreendo a viagem enterrando agonias
ao sentir que te esqueço, todos os meus dias.





 

 

 

 

 

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