Fado Bem Sambado
Cândido



Eu dei-lhe um lá mi ré desafinado,
Porque o meu canto é tão pobrezinho
Ela enviou-me um samba rebolado
Num corpo de Ipanema moreninho.

E dizem que na voz deste meu fado
Tristonho, molengão ou picadinho,
Há o som indolente e magoado
Que se ouve nas notas dum chorinho.

Sonhei vê-la dançar no meu terreiro
Com gestos sensuais de corpo inteiro
Num ritual de santa sedução.

Perdoa-me meu Deus se é pecado,
De ver um fado alegre bem sambado
Com acordes da minha tentação.




Preço da Vida
Cândido



Esta forma de vida, a sua essência,
Foi-nos dada por Deus numa alvorada.
E é devolvida ao fim da caminhada
Com a marca da nossa referência.

Mas a vida não tem igual valência.
Depende do corpo onde é hospedada:
Num desgraçado nunca valeu nada,
Mas é valiosa em sua Excelência.

Agora, já não conta esse critério...
A vida que Deus deu, esse mistério,
É apenas um nome e um endereço.

Uma faca de qualquer homicida
Ou bala de fuzil, que ande perdida,
Determinam qual é o justo preço.





A Paixão e a Razão
Cândido



Ainda tenho sabor de beijos teus
Que recebi da tua boca pura
Quando em noites de sonho e de ternura
Choviam sobre nós bênçãos de Deus.

E depois da tristeza do adeus
E daquilo que foi nossa doçura
Ficou esta saudade, esta rotura,
De quando passeava nos teus céus.

E era tal a paixão que nos unia,
Que parece que tudo nos sorria,
Com o sorriso eterno dos amantes.

Mas, às tantas, a pérfida razão,
Veio nos arrumar o coração
E transformou o eterno nuns instantes.





A Flor de Amor-Perfeito
Cândido



A semente do amor que germinou,
Na terra mais feliz do meu canteiro,
Foi escrita com a cor do meu tinteiro
Com a forma que o sonho desenhou.

O poeta ao escrever se emocionou,
Ao ver tão bela flor de amor-perfeito,
Com a medida exata do seu peito
E odores com que o amor a perfumou.

Desejei essa flor pra minha vida,
Essa beleza pura e colorida
Que alguma jardineira imaginou…

Não te iludas ó meu coração triste,
Que a flor de amor-perfeito só existe
Na mente do poeta que a sonhou.





Vem! Dizias-me tu
Cândido



Vem! Dizias-me tu quando me vias.
Então, como um humilde cachorrinho,
Seguia o teu odor, pelo caminho,
Quando, esquivamente, te escondias.

Vem! Dizias-me tu nas euforias
Das noites que provaste o meu carinho
E perdida nos sonhos do teu ninho
Libidinosamente me sorrias.

Ainda hoje te vejo louca e bela
No teu jeito esquivo de gazela,
E, sorrindo, dizendo-me: Vem! Vem!

Já passou algum tempo, muitos dias…
E ainda dizes vem, como dizias,
Mas cada vez te sinto mais além.





Se Eu Soubesse Onde Ela Mora
Cândido



Ah! Se eu soubesse onde moras,
Em que rua, em que avenida,
Em que escaninho da vida,
Em que tempo e a que horas?

Ah! Se eu soubesse a morada,
Onde te sentes feliz,
Em que mundo, em que país,
Em que lugar, em que estrada?

Só acho o teu endereço.
Escrito a corpo inteiro
Junto do meu travesseiro,
Nas noites em que adormeço.

E no sonho em que te deito,
Nos meus lençóis de cetim,
Tu moras dentro de mim
E adormeces no meu peito.

Fico outra vez na incerteza
Quando o sonho vai embora,
Perco o sítio onde ela mora
E encontro a minha tristeza.

 

 

 

 

 

 

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