Desesperança

Marise Ribeiro



Suas mãozinhas não seguram bonecas,
nem tampouco outras mãozinhas
em uma ciranda de roda.
Seguram uma lâmina afiada
que ceifa a casca da mandioca.
Sua boca sorve as lágrimas que escorrem.
Lágrimas de fumaça da farinha torrada.
Sua pele, ainda exalando o leite
do colo materno prematuramente seco,
traz feridas que jamais cicatrizarão:
feridas da infância.
Ajoelhada no solo de terra árida,
terra da pátria amada,
pátria mãe nem tão gentil,
ela brinca com as cascas e gravetos,
como se fosse um quebra-cabeça, o seu lego.
Quando o dia se esvai,
a fome que ronda suas entranhas e
seus vermes é enganada pelo sono.
Sono vazio. Sono sem sonhos.
Que infância é essa, meu Deus?
E o clamor ecoa em mim com a pior resposta:
É a infância perdida!
É a infância brasileira!


04/04/05






 



 

 



 


 
 

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Crédito
Midi La Sereníssima