Café da Manhã

Marise Ribeiro



Duas xícaras de café na mesa
Descansavam solitárias e vazias...
Restava ali o retrato da certeza
De um amanhecer sem pão e... folias.

Eu me comporto tal e qual
Àquela cena, desguarnecida...
Cúmplices olhares na hora matinal
Desviaram-se na noite da despedida.

Lembro-me das manhãs musicais,
A voz dele cantarolando feliz...
Eu brincava torcendo o nariz:
- Canta Chico, vai... Roberto, jamais!

E, à noite, havia banquete no lençol:
De paixão, de carícias, de doçura...
Pela manhã, a mesa posta com fartura,
Regada à cantoria e a colesterol.

Ao acordar, falava tão satisfeito:
- Vou fazer o café pra nós dois!
E a bagunça de quem é sem jeito
Mostrava a conta na faxina depois.

Não há leite entornando nos metais,
Nem torrada passando da hora;
Aquele aroma do café, não mais;
Um silêncio inodoro é o que há agora...

Ironicamente, faminta amanheci:
De ruídos de pratos, de tatos e de calidez...
Nem sei o que o levou daqui,
Só não era a fome de uma viuvez.

Antes a morte o tirasse de mim,
Pois esse é o final de cada um,
Mas pra quem se lambuzava de quindim,
Não há nada pior do que este jejum...


17/04/08





 



 

 



 


 
 

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Página inserida em Abril de 2009
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Crédito
Midi Richard Clayderman - Café da Manhã